Descaso e abandono: Censo recente aponta aumento de moradores de rua no Rio, herança da gestão de Paes

Um censo recente da população em situação de rua na cidade do Rio, realizado durante a gestão de Eduardo Paes (PSD) à frente da Prefeitura, revela um aumento de 4,2% em relação ao levantamento anterior. O total chegou a 8.195 pessoas em situação de rua, sendo 2.438 delas acolhidas em instituições. O dado, no entanto, não foi divulgado com destaque pela administração municipal, tendo sido publicado discretamente no portal Data Rio, sem qualquer chamada na página principal do site, que seguia destacando o censo anterior.
Segundo o levantamento, a maioria das pessoas em situação de rua é do sexo masculino (82%), com mais de 70% entre 18 e 49 anos, e 83% se autodeclararam pretos ou pardos. Entre os entrevistados, 60% têm o ensino fundamental incompleto e 10% não sabem ler um bilhete simples. Mais de 30% relataram ter ficado um dia inteiro sem comer na última semana, e conflitos familiares (36%) aparecem como principal motivo apontado para estar na rua.
O Ministério Público Federal cobra da prefeitura os dados desse censo há meses, sem receber resposta. Uma ação do MPF pede intervenção urgente da Justiça Federal e acusa o governo municipal de grave omissão na política voltada à população em situação de rua — período que coincide com a gestão de Eduardo Paes à frente da cidade, antes de deixar o cargo para concorrer ao Governo do estado. Procurada, a prefeitura afirmou que o censo está publicado no site, mas não explicou a demora na divulgação nem por que não respondeu aos questionamentos do MPF.


