Histórico de conflitos na gestão Paes preocupa ambulantes na eleição

Os conflitos de agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) e da Guarda Municipal com ambulantes e trabalhadores informais se tornaram um problema recorrente nas gestões de Eduardo Paes (PSD) à frente da Prefeitura do Rio. Desde seu primeiro mandato, operações de fiscalização e apreensão de mercadorias foram marcadas por protestos, confrontos e denúncias de violência, especialmente no Centro e na orla. O histórico permanece como uma preocupação para a categoria diante das eleições deste ano para o Governo do Rio, em que Paes é candidato, e alimenta a cobrança por propostas para os trabalhadores informais.
A política de ordenamento ganhou força já no primeiro mandato, com o chamado “Choque de Ordem” e a intensificação das ações contra o comércio irregular. Em 2013, uma operação no Buraco do Lume, no Centro, terminou com ambulantes denunciando agressões e guardas municipais relatando terem sido atacados pelos trabalhadores. No ano seguinte, outro confronto, nas proximidades da Central do Brasil, ocorreu durante um protesto relacionado à morte de um camelô. A tensão permaneceu nos anos seguintes, com apreensões frequentes de mercadorias e equipamentos e manifestações contra a atuação da fiscalização municipal.
No segundo período de Paes na Prefeitura, iniciado em 2021, os episódios voltaram a ganhar repercussão. Em 2023, houve confrontos entre ambulantes e agentes da Seop e da Guarda na Praia de Copacabana e no Largo da Carioca, onde vídeos mostraram o uso de bombas de gás e, segundo relatos publicados à época, balas de borracha. Em 2025, outro caso no Largo da Carioca envolveu um ambulante que foi golpeado por guardas durante uma abordagem, segundo imagens divulgadas nas redes sociais. A Prefeitura afirmou, em diferentes episódios, que os agentes reagiram a agressões ou resistência às operações.
Os conflitos continuaram em 2026, incluindo um episódio na orla e outro na Rua São José, no Centro, onde uma operação da Seop contra ambulantes terminou em correria, prisões e agentes feridos. O histórico de confrontos se soma às reclamações da categoria sobre apreensões e dificuldades de regularização e coloca o relacionamento da Prefeitura com os trabalhadores informais como um dos pontos problemáticos para a campanha de Paes ao governo estadual.


